sábado, 30 de abril de 2011

Biografia de Oswald de Andrade
  Líder irreverente e tempestuoso da Semana de Arte Moderna, José Oswald de Souza Andrade foi um dos mais significativos autores modernistas da literatura brasileira. Em Pau-Brasil (1925), vemos postuladas suas renovações estéticas: sua idéia de uma poesia mínima, contraditória ao arcadismo e à erudição, de grande vitalidade e atualidade, com elementos extraídos da oralidade e do coloquialismo, baseada nas características e no modo de falar do povo brasileiro, com todos os seus erros e suas deformações da língua, abolindo a pontuação da rima e trabalhando com o verso livre. Ainda, com o irônico Manifesto Antropofágico (1928), cuja estrofe "Tupy or not tupy that is the question" virou símbolo nacional, o escritor levou ao extremo suas idéias, consagrando a antropofagia das influências estrangeiras como modo de emancipação cultural. De uma família tradicional e abastada, Oswald nasceu em São Paulo e estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Em 1911, fundou, com a ajuda dos pais, o jornal O Pirralho. Durante viagem realizada à Europa, em 1912, entrou em contato com o movimento artístico e literário conhecido como Futurismo, trazendo ao Brasil o Manifesto Futurista, de Felippo Tomaso Marinetti. De volta a São Paulo colaborou em vários jornais e revistas, como a Klaxon (o principal veículo das idéias modernistas). Em 1918, escreveu artigo no Jornal do Commercio defendendo Anita Malfatti, que fora atacada pelas críticas de Monteiro Lobato ao apresentar seus quadros em uma exposição. Ao lado da artista plástica e de Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto e Di Cavalcanti, liderou a Semana de Arte Moderna, ocorrida entre 13 e 17 de fevereiro de 1922. Na abertura do evento leu, sob vaias, um trecho de Os Condenados, livro publicado no mesmo ano. Formou, com Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Anita Malfatti e Menotti del Picchia, o Grupo dos Cinco, que defendia as idéias da Semana. Escreveu ainda duas obras-primas, Memórias Sentimentais de João Miramar (1924) e Serafim Ponte Grande (1933). Oswald também entregou-se às mulheres: foi casado com Tarsila do Amaral, Patrícia Galvão (a Pagu), Julieta Bárbara Guerrini e Maria Antonieta.
Semana de Arte Moderna
U
a
 A Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22, ocorreu em São Paulo no ano de 1922, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro, no Teatro Municipal
  Cada dia da semana foi dedicado a um tema: respectivamente, pintura e escultura, poesia, literatura e músicaO presidente do estado de São Paulo à época, Washington Luís, apoiou o movimento, especialmente por meio de René Thiollier, que solicitou patrocínio para trazer os artistas do Rio de Janeiro Plínio Salgado e Menotti Del Pichia, membros de seu partido, o Partido Republicano Paulista.
  A Semana de Arte Moderna representou uma verdadeira renovação de linguagem, na busca de experimentação, na liberdade criadora da ruptura com o passado e até corporal, pois a arte passou então da vanguarda, para o modernismo. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos, como a poesia através da declamação, que antes era só escrita; a música por meio de concertos, que antes só havia cantores sem acompanhamento de orquestras sinfônicas; e a arte plástica exibida em telas, esculturas e maquetes de arquitetura, com desenhos arrojados e modernos. O adjetivo "novo" passou a ser marcado em todas estas manifestações que propunha algo no mínimo curioso e de interesse.
  Participaram da Semana nomes consagrados do modernismo brasileiro, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos, Tarsila do Amaral, Tácito de Almeida, Di Cavalcanti entre outros, e como um dos organizadores o intelectualRubens Borba de Moraes que, entretanto, por estar doente, dela não participou.
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Um dos cartazes da «Semana», satirizando os
grandes nomes da música, da literatura e da pintura

A luta de cada um - Pagu

Patrícia Rehder Galvão, conhecida pelo pseudônimo de Pagu, nasceu em São João da Boa Vista, 9 de junho de 1910, e faleceu em Santos, 12 de dezembro de 1962, foi uma escritora e jornalista brasileira. Militante comunista, teve grande destaque no movimento modernista iniciado em 1922. Foi a primeira mulher presa no Brasil por motivações políticas.
Bem antes de virar Pagu, apelido que lhe foi dado pelo poeta Raul Bopp, Zazá, como era conhecida em família, já era uma mulher avançada para os padrões da época, pois cometia algumas “extravagâncias” como fumar na rua, usar blusas transparentes, manter os cabelos bem cortados e eriçados e dizer palavrões. Ela não queria saber o que pensavam dela, tinha muitos namorados e causava polêmica na sociedade. Apesar de ter uma família tradicional e muito conservadora.

O apelido Pagu surgiu de um erro do poeta modernista Raul Bopp. Bopp inventou este apelido, ao dedicar-lhe um poema, porque imaginou que seu nome fosse Patrícia Goulart e por isso fez uma brincadeira com as primeiras sílabas do nome.

Com 18 anos, mal completara o Curso na Escola Normal da Capital (São Paulo, 1928) e já está integrada ao movimento antropofágico (O movimento antropofágico foi uma manifestação artística brasileira da década de 1920, fundada e teorizada pelo poeta paulista Oswald de Andrade), de cunho modernista, sob a influência de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Em 1930, Oswald separa-se de Tarsila e casa-se com Pagu. Os dois ja eram  amantes desde a época que Oswald era casado. No mesmo ano, nasce Rudá de Andrade, segundo filho de Oswald e primeiro de Pagu. Os dois se tornam militantes do Partido Comunista.

Ao participar da organização de uma greve de estivadores em Santos Pagu é presa pela polícia política de Getúlio Vargas. Logo depois de ser solta, em (1933), partiu para uma viagem pelo mundo, deixando no Brasil o marido e o filho. No mesmo ano, publica o romance Parque Industrial, sob o pseudônimo de Mara Lobo.


Em 1935 é presa em Paris como comunista estrangeira, com identidade falsa, e é repatriada para o Brasil. Separa-se definitivamente de Oswald, por conta de muitas brigas e ciúmes. Ela retoma sua atividade jornalística, mas é novamente presa e torturada pelas forças da Ditadura, ficando na cadeia por cinco anos. Nesses cinco anos, seu filho é criado por Oswald.


Casa-se novamente com Geraldo Ferraz, e dessa união nasce seu segundo filho, Geraldo Galvão Ferraz. Nessa mesma época viaja à China e obtém as primeiras sementes de soja que foram introduzidas no Brasil.

Em 1952 frequenta a Escola de Arte Dramática de São Paulo, ainda trabalhava como crítica de arte, quando foi acometida de um câncer. Viaja a Paris para se submeter a uma cirurgia, sem resultados positivos. Decepcionada e desesperada por estar doente, Patrícia tenta suicídio, o que não se concretizou. Sobre o episódio, ela escreveu no panfleto "Verdade e Liberdade": "Uma bala ficou para trás, entre gazes e lembranças estraçalhadas". Volta ao Brasil e morre em 12 de dezembro de 1962, em decorrência da doença, para total tristeza de marido e filhos.